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Guanambi - BA

Regional VACINAÇÃO

Comunidades quilombolas de Guanambi começam a ser vacinadas contra a Covid-19

A região abrange doze municípios baianos. Segundo o Ministério da Saúde, 4.322 quilombolas da região tomaram a primeira dose da vacina contra o coronavírus e 228 a segunda dose do imunizante

24/06/2021 às 11h24
Por: Redação Fonte: Brasil 61
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Foto: Agência Brasil
Foto: Agência Brasil

Moradores das comunidades quilombolas da região de Guanambi estão sendo imunizados contra a Covid-19. A região abrange doze municípios baianos. São eles: Guanambi, Caetité, Riacho de Santana, Palmas de Monte Alto, Igaporã, Matina, Malhada, Lagoa Real, Candiba, Ibiassucê, Iuiu e Mortugaba.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, são mais de 19 mil habitantes quilombolas, pessoas que vivem em comunidades formadas por descendentes de escravizados fugitivos. Mas os dados do órgão não correspondem com as informações divulgadas pelas secretarias municipais de saúde. 

Em Matina, por exemplo, o IBGE aponta que o município possui 8.189 habitantes quilombolas. Já em Iuiu, a estimativa é de 57 pessoas. A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde, que informou não existirem quilombolas nesses municípios.

Quilombolas foram incluídos como grupo prioritário no Plano Nacional de Imunização. A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Francieli Fantinato, explica que o grupo foi listado como prioridade devido à vulnerabilidade social que está exposto. “As comunidades quilombolas são populações que vivem em situação de vulnerabilidade social. Elas têm um modo de vida coletivo, os territórios habitacionais podem ser de difícil acesso e muitas vezes existe a necessidade de percorrer longas distâncias para acessar os cuidados de saúde. Com isso, essa população se torna mais vulnerável à doença, podendo evoluir para complicações e óbito”, destacou. 

De acordo com o Ministério da Saúde, 4.322 quilombolas da região de Guanambi tomaram a primeira dose da vacina contra o coronavírus e 228 a segunda dose do imunizante.

Número de quilombolas vacinados contra a Covid-19 na região de Guanambi.  

Município

1ª Dose

2ª Dose

Guanambi

38

0

Caetité

491

14

Riacho de Santana

660

0

Palmas de Monte Alto

1382

3

Igaporã

179

165

Matina

0

0

Malhada

1.213

0

Lagoa Real

75

0

Candiba

78

5

Ibiassucê

151

31

Iuiu

0

0

Mortugaba

55

10

Fonte: Ministério da Saúde – dados do dia 23/06/2021

Uma das vacinadas foi a lavradora Reinalda Pereira Magalhães, de 38 anos, moradora do Quilombo Pau D'arco e Parateca, localizado no município de Malhada. Nina, como é carinhosamente conhecida no quilombo que vive desde quando nasceu, conheceu de perto a dor de perder um ente querido para a Covid-19. Ela conta que o seu irmão caçula faleceu dias antes de a vacina chegar em sua comunidade. “A vacina chegou na semana que ele adoeceu. Não sei se ele tinha algum problema de saúde, mas ele foi entubado e ficou no hospital doze dias. Não é fácil, não, ainda tá uma dor. Ele era o irmão caçula, tinha 34 anos”, desabafou.   Nina recebeu a primeira dose da vacina e agora aguarda a dose reforço do imunizante. Ela já tem planos para quando a pandemia passar. “Quilombola gosta muito de festa. Então, vou fazer uma festa em agradecimento, né? Temos que agradecer a Deus para os que os que conseguiram atravessar essa guerra. Vai ser um momento de muita festa e alegria”, afirmou. 

Proteja-se

A vacina é uma das principais formas de combater o novo coronavírus. Atualmente, o Ministério da Saúde disponibilidade quatro tipos de imunizantes contra a Covid-19. Francieli Fantinato, coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, orienta que todos eles são seguros e eficazes contra a doença. “Todas as vacinas de Covid-19 que estão disponíveis hoje, no Programa Nacional de Imunizações (PNI), são seguras. Seja para a população quilombola, ou seja, para a população em geral. Então todas elas passaram pela avaliação da agência regulatória e comprovaram a sua eficácia e segurança”, ressaltou Francieli.

Ainda segundo Francieli, após a vacinação é necessário que a população continue seguindo os protocolos de segurança: use máscara de pano, lave as mãos com frequência com água e sabão ou álcool 70%; mantenha os ambientes limpos e ventiladores e evite aglomerações. “As vacinas disponíveis no momento têm objetivo de reduzir as complicações, hospitalizações e as mortes pela doença. Então, ela não tem capacidade de prevenir 100% à capacidade pelo coronavírus, mas é importante que todos tomem porque o objetivo principal é reduzir complicações e óbitos”, explicou. 

Membros quilombolas que ainda não tomaram a vacina devem procurar a unidade básica de saúde do seu município. A líder da comunidade quilombola de Pau D'arco e Parateca, Valéria Porto Santos, ressalta a importância da vacinação dos povos tradicionais “A vacina é importante porque, de uma certa forma, ela é quem vai proporcionar estabilidade para a gente enquanto população tradicional e, assim, continuarmos nos nossos processos de luta por inclusão e por reparação social histórica”, destacou. Ela ainda faz o apelo para que os quilombolas se vacinem: “A vacinação nos proporcionará dia melhores. Convidamos todos os territórios do estado da Bahia e do Brasil a se vacinarem e a lutarem para que o plano municipal de vocês seja efetivado no sentido de nos reconhecer como prioridade. Mas para além disso, que em breve todos os brasileiros possam ser vacinados.”

Vacinação na Bahia

A meta do Ministério da Saúde é vacinar toda a população brasileira maior de 18 anos até outubro. De acordo com dados da Secretaria de Saúde da Bahia, até o fechamento desta reportagem, 135.422 quilombolas tomaram a primeira dose da vacina e 13.937 quilombolas tomaram a segunda dose do imunizante contra a Covid-19. Fique atento ao calendário de imunização do seu município. Para saber mais sobre a campanha de vacinação em todo o País, acesse www.gov.br/saude

Serviço

Quilombolas que vivem em comunidades quilombolas, que ainda não tomaram a vacina, devem procurar a unidade básica de saúde do seu município. Para mais informações, basta acessar os canais online disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Acesse o portal www.gov.br/saude  ou baixe o aplicativo Coronavírus – SUS. Pelo site ou app, é possível falar com um profissional de saúde e tirar todas as dúvidas sobre a pandemia.

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